terça-feira, 15 de junho de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tempos de Walden:"Novidades! muito mais importante é saber-se daquilo que nunca fica velho!"

Por que teríamos que viver com tanta pressa, esbanjando a vida?

É difícil a pessoa que, ao fazer sesta de meia hora após a refeição, ao despertar e erguer a cabeça logo não pergunte: "Quais são as novas?", como se o resto da humanidade tivesse ficado de sentinela. Há quem até, com certeza, pelo mesmo motivo, dê ordens para ser acordado de meia em meia hora, quando conta seus sonhos a título de retribuição. Depois de uma noite de sono, as notícias são tão indispensáveis quanto o café da manhã. "Diga-me, por favor, o que aconteceu de novidade ao homem em qualquer parte do mundo" e, juntamente com o café e os pãezinhos, lê que em Wachito River, àquela manhã, arrancaram os olhos de um homem, e enquanto isso, nem de longe imagina que vive na caverna escura, insondável e imensa deste mundo, e que ele próprio só tem um rudimento de olho.
De minha parte, podia facilmente passar sem correio. Acho que há pouquíssimas comunicações importantes feitas por seu intermédio. Para falar como crítico, em toda a vida não recebi mais que uma ou duas cartas que valessem a tarifa postal, o que já declarei por escrito anos atrás. O serviço postal é, comumente, uma instituição através da qual uma pessoa oferece com seriedade a outra, em troca dos pensamentos desta, aquela moedinha que muitas vezes oferece de brincadeira, sem se comprometer. Também estou certo de que nunca li nos jornais nenhuma notícia notável. Se já lemos a respeito de um homem assaltado ou assassinado, ou morto em acidente, ou de uma casa incendiada, ou do naufrágio de um navio, ou da explosão de um vapor, ou de uma vaca atropelada na Estrada de Ferro do Oeste, ou da morte de um cão raivoso, ou de uma nuvem de gafanhotos no inverno - nunca mais precisaremos ler a respeito de coisas semelhantes. Basta uma vez. Se a pessoa já se familiarizou com o princípio, que importam os inúmeros exemplos e aplicações? Para um filósofo, todas as assim chamadas novidades, são diz-que-diz, e as pessoas que se encarregam de editá-las e lê-las, velhinhas tomando chá. Entretanto não são poucos os ávidos por bisbilhotice [...] Novidades! muito mais importante é saber-se daquilo que nunca fica velho!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tempos de Walden: "Simplificar, simplificar"

Contudo, vivemos mesquinhamente, feito formigas, ainda que a fábula nos relate que há muito tempo atrás fomos transformados em homens; como os pigmeus lutamos com graus; e é erro sobre erro, remendo sobre remendo, e nossa melhor virtude decorre de uma miséria supérflua e evitável. Nossa vida é estilhaçada pelo detalhe. Um sujeito honesto dificilmente precisa contar além de seus dez dedos, acrescentando, em caso extremo, seus artelhos, e o resto que se amontoe. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: Ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem mil; contar meia duzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar. Em meio ao agitado mar da vida civilizada, tais são as nuvens, as tempestades, as areias movediças e os mil e um imprevistos a serem levados em conta, que para não se afundar, ir a pique sem chegar ao porto, um homem tem que se um grande calculista para lograr êxito. Simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas [...]

[...]Vive-se com muita pressa. Os homens julgam essencial que a Nação tenha comércio, exporte gelo, fale por meio de telégrafo, e ande a quarenta e oito quilômetros por hora, sem se perguntarem se tudo isso convêm ou não;[...]

domingo, 21 de junho de 2009

Tempos de Walden: "Queria viver em profundidade..."

" Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava praticar resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários, e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e se fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de explicar tudo isso na próxima digressão. Porque me parece que muitos homens estão terrivelmente incertos, sem saber se a vida é obra de Deus ou do demônio, e têm concluído com certa sofreguidão que a finalidade principal do homem aqui na terra é "dar gloria a Deus e gozá-lo por toda a eternidade"."




digressão: efeito de romper a continuidade de um discurso com uma mudança de tema intencionada.

sábado, 20 de junho de 2009

Tempos de Walden: "...todos os acontecimentos memoráveis sucedem de manhã, em atmosfera matutina."

"O homem incapaz de supor que o dia contém uma hora mais matinal, mais sagrada e mais radiante do que aquela que já profanou, desesperou-se da vida e envereda por um caminho escuro e em declive. Depois de relativa pausa em sua vida sensorial, a alma da pessoa, ou melhor, os órgãos dela revigoram-se cada dia, e seu Espírito tenta novamente desenvolver uma vida nobre. Diria mesmo que todos os acontecimentos memoráveis sucedem de manhã, em atmosfera matutina. Os Vedas dizem: "Todas as inteligências acordam com a manha". Poesia e arte, assim como as mais belas e relembradas ações humanas, datam de tal hora. Todos os poetas e heróis, como Memnon, são filhos da Aurora e emitem suas músicas ao raiar do sol. Para aquele cujos pensamentos flexíveis e vigorosos acompanham o ritmo do sol, o dia é uma perpétua manhã. Não importa o que dizem os relógios ou as atitudes e ocupações dos homens. É manha quando acordo e há em mim um amanhecer. Reforma moral é o esforço para abandonar o sono. Por que os homens dão conta de seu dia tão mal se não estiveram a dormir antes? Não é que não saibam prestar contas. Se não estivessem vencidos pela modorra teriam realizado algo. Milhões estão despertos para o trabalho físico, mas apenas um em cada milhão está suficientemente desperto para o efetivo exercício intelectual, e apenas um em cada cem milhões para a vida poética ou divina. Estar acordado é estar vivo. Até agora nunca encontrei um homem inteiramente acordado. Como poderia tê-lo encarado?" (Walden ou a vida nos bosques, pg. 94)



modorra: grande vontade mórbida de dormir.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tempos de Walden

"Pouco se pode esperar do dia, se a isto se pode chamar de dia, para o qual não fomos acordados por nosso Espírito, e sim pelas cutucadas mecânicas de um criado, para o qual não fomos acordados por nossas próprias forças recém-adquiridas e aspirações íntimas, acompanhadas de ondulações de música celestial em vez de serenas de fábricas, e de uma fragrância a encher o ar – para uma vida superior àquela em que caímos adormecidos; e assim a escuridão produz seu fruto e se mostra não menos importante do que a luz." (Walden ou a vida nos bosques, pag. 93)



"Não há companhia melhor que a de uma cuia"



Victor, 19 de junho 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tempos de Walden

"Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes."

(Henry David Thoreau - Walden)

sábado, 25 de abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O início

BubbleShare: Share photos - Easy Photo Sharing

Bom ver estas fotos. Meu primeiro contato com o montanhismo. E logo onde? No Pico do Paraná! Onde voltaria outras vezes e afirmaria minha paixão por trilhas, escaladas, e pela natureza. Fico muito feliz, também, por ter passado por esta experiência incial com pessoas que amo! Afinal, "a felicidade só existe quando compartilhada", já disse McCandless. Com certeza, este é só o início!

Victor

Carta de Chris McCandless

"Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: você deveria promover uma mudança radical em seu estilo de vida e fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar.

Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito do homem que um futuro seguro.

A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências [..]

Você está errado se acha que a alegria emana somente ou principalmente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda a nossa volta. Está em tudo ou em qualquer coisa que possamos experimentar. Só temos de ter a coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual e nos comprometer com um modo de vida não-convencional.

O que quero dizer é que você não precisa de mim ou de qualquer outra pessoa para pôr esse novo tipo de luz em sua vida. Ele está simplesmente esperando que você o pegue e tudo que tem a fazer é estender os braços. A única pessoa com quem você está lutando é com você mesmo [..]

Espero que na próxima vez que eu o encontrar você seja um homem novo, com uma grande quantidade de novas experiências na bagagem. Não hesite nem se permita dar desculpas. Simplesmente saia e faça. Simplesmente saia e faça. Você ficará muito, muito contente por ter feito." (carta de Chris McCandless para Ron Franz)



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um bom daguerreótipo


Entre tantas, talvez essa foto seja a melhor. Está certo, o design deu um bom toque... Mas foi também por isso - e não esquecendo a cerveja e a música do Creendence - que tive inspiração em fazer este relato. Quantos sentimentos causa está foto, não? Em mim: arrepio, saudade e um pequeno riso no rosto. "BAR E MERC. DO.." está escrito na placa: a foto é tão fiel que dá o "gostinho" a quem estava presente no local e no momento de completar a frase e ter o seu próprio sentimento. Nunca pensei que uma foto, ou lugar, ou momento, pudessem causar tanto efeito em mim. Um grande abraço aos meus grandes amigos.

Victor


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Livro

"Às vezes, as pessoas são assim, enganadoras. Cantam as canções dos outros sem nem saber o que elas dizem." (A erva-do-diabo, pg 159-160)

Livro

"Fui para os arbustos próximos e andei um pouco. Tudo estava muito nítido. Reparei que eu estava vendo no escuro, mas desse vez importava muito pouco. O importante era saber por que Mescalito me evitava." (A erva-do-diabo, Carlos Castañeda, pag. 154)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Livro

"Não! Nunca me zango! Nenhum ser humano pode fazer alguma coisa tão importante que mereça isso. A gente se zanga com as pessoas quando acha que seus atos são importantes.." (A erva-do-diabo - Carlos Castañeda)

Ariano Suassuna






sábado, 22 de novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Livro

Descobri como dormimos! Há tempos fico na cama, sem dormir, pensando no fato. Fiquei abismado com a descrição de Freud de como entramos em estado de repouso. E tambem com os fatos relacionados a esse estado.

   "...Ora, quando nós mesmos desejamos dormir, temos o hábito de tentar produzir uma situação semelhante à da experência de Strümpell. Fechamos nossos canais sensoriais mais importantes, os olhos, e tentamos proteger os outros sentidos de todos os estímulos ou qualquer modificação dos estímulos que atuam sobre eles. Então adormecemos, muito embora esse projeto jamais se concretize inteiramente. Não podemos manter os estímulos completamente afastados de nossos órgãos sensoriais, nem podemos suspender inteiramente a excitabilidade de nossos órgõas dos sentidos. O fato de um estímulo razoavelmente poderoso nos despertar a qualquer momento é prova de que 'mesmo no sono a alma está em constante contato com o mundo extracorporal'. Os estímulos sensoriais que chegam até nós durante o sono podem muito bem tornar-se fontes de sonhos."  (A interpretação do sonhos - Sigmund Freud - pag. 46)

E no fim ele completa o que dizia sobre os sonhos: que estímulos nos órgõas sensoriais também podem instigar uma pessoa adormecida a sonhar.