quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tempos de Walden: "Simplificar, simplificar"

Contudo, vivemos mesquinhamente, feito formigas, ainda que a fábula nos relate que há muito tempo atrás fomos transformados em homens; como os pigmeus lutamos com graus; e é erro sobre erro, remendo sobre remendo, e nossa melhor virtude decorre de uma miséria supérflua e evitável. Nossa vida é estilhaçada pelo detalhe. Um sujeito honesto dificilmente precisa contar além de seus dez dedos, acrescentando, em caso extremo, seus artelhos, e o resto que se amontoe. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: Ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem mil; contar meia duzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar. Em meio ao agitado mar da vida civilizada, tais são as nuvens, as tempestades, as areias movediças e os mil e um imprevistos a serem levados em conta, que para não se afundar, ir a pique sem chegar ao porto, um homem tem que se um grande calculista para lograr êxito. Simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas [...]

[...]Vive-se com muita pressa. Os homens julgam essencial que a Nação tenha comércio, exporte gelo, fale por meio de telégrafo, e ande a quarenta e oito quilômetros por hora, sem se perguntarem se tudo isso convêm ou não;[...]

Um comentário:

  1. Muito difícil nos dias de hoje é escolher a forma como se quer viver, e faze-la plenamente. Ao máximo tenho conseguido realizar incursões pela vida que desejo para mim. Vejo-me flutuando entre obrigações as quais não escolhi e não vejo sentido, e momentos onde posso realizar-me enquanto ser pensante e criativo. Cada humano tem seu ritmo de trabalho, porém o vinculo empregatício funciona ao seu próprio ritmo e assim caminha a sociedade, em descompassoa com o caminhar da humanidade.

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