terça-feira, 7 de outubro de 2008

Otários

Sei bem como são as coisas por lá, minha indignação se renova a cada dois finais de semana, ou então, por "sorte", a cada mês. É, era de se esperar que no dia da decisão para prefeito da cidade a coisa não fosse ser diferente - é claro que não. Ainda assim fiquei surpreso, quanta falta de educação e ignorância que lá prevalece. Vou explicar! Desta vez me senti desatualizado com os comportamentos costumeiros do local, até cheguei a pensar: "que críticas arcaicas estas minhas!" O que são placas de propaganda política pregadas na sua testa, ou papéis de propaganda política - vulgo santinho - que quanto mais na rua melhor? E a difamação dos candidatos uns pelos outros, isso é normal, engraçado até, que circo!! Mas o que mais indigna é a aceitação disso tudo, por todos, como algo normal, ou hilário. Lendo agora a crônica Os otários necessários, de Luis Fernando Veríssimo, é que fui entender. Ele explicou bem: "Não somos  otários, como pensam. Somos hipócritas. Isto é, otários conscientes, otários assumidos, otários porque o contrário seria sucumbir ao amoralismo dos outros. Otários porque alguém neste país tem que fingir que é virtuoso. Para que a hipocrisia funcione e nos salve do caos é preciso que a maioria faça seu papel: de otários. Nenhum brasileiro tem dúvida de que é logrado em tudo, e não só no balcão da farmácia. A política que lhe vendem há anos também é para otários. Essa elite é essa elite porque a anos logra os otários, ela não existiria se os otários não estivessem compenetrados no seu papel. Aqui nínguem é otário por ingenuidade, é tudo simulação, tudo estratégia. São os otários que sustentam a República. No Brasil, a hipocrisia é uma forma de patriotismo." E isso não serve só para os Itarareenses!

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